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"Sono un po siciliana"



O bisavô do meu pai veio da Itália com a família em um navio que partiu rumo ao Brasil no ano de 1896. A cidade dos meus antepassados é a pequena Grotte, próximo de Agrigento, na Sicília.

Há alguns anos fiz uma viagem por essa ilha de 25.832 km². Chegamos à Sicília pelo Estreito de Messina numa balsa onde embarcamos nosso 500 “azzurro”. Antes fomos conhecer Tropea, não sabia se tinha alguma ligação com o sobrenome da família Tropia, continuo sem saber mas, adorei a cidade e foi lá que comi a melhor de todas as pizzas da minha vida. Voltando à Sicília. Chegamos e fomos direto para Taormina. Uau...Que cidade deslumbrante! Eu sou do tipo de pessoa que ama e compra guias de viagem, gosto de fazer os roteiros bem antes de embarcar, o que não descarta a leitura no banco de co piloto minutos antes de entrar ou não naquela cidade para passar a noite ou simplesmente para um curto cafe. Tínhamos algumas paradas obrigatórias e outras foram agradáveis surpresas como Erice, cidade medieval que fica a 750 metros do nível do mar, fundada no século V a.c. com apenas 537 habitantes, vistas impressionantes e cheias de histórias, claro. Tenho que confidenciar que tivemos algumas decepções, nada que chegasse perto de estragar nossa expedição em busca da minha origem siciliana. Foram mais de 20 dias que terminaram em Catânia. Uma jovem italiana que conhecemos em algum lugar nos disse que almoçar no mercado de peixes desta cidade era algo imperdível. Na primeira tentativa não conseguimos. Visitar o mercado foi, talvez, a mais escandalosa experiência que tive na vida. No primeiro momento, fiquei um pouco intimidada mas logo me encontrei. Os feirantes e peixeiros gritavam e gesticulavam atraídos pela minha câmera. Levantavam os peixes enormes, frescos e brilhantes. Passar despercebida como geralmente é meu estilo. Esqueça!! Me gritavam e disputavam minha atenção. E eu fui ficando cada vez mais eufórica. E de repente, comecei a amar os meus conterrâneos. Para finalizar aquela manhã deliciosamente barulhenta, almoçamos num restaurante bem pequeno onde não escolhemos nada, o garçom nos serviu com o que bem entendesse. Por mim tudo certo, comi maravilhosamente bem. Bebemos um vinho branco siciliano. E saí dali feliz com a sensação que tinha descoberto um pouco mais de mim mesma e de onde vim. Viva a Itália, viva a Sicília. Terra dos meus corajosos antepassados que cruzaram os mares em busca de oportunidades. E encontraram nas Minas Gerais uma nova vida. Carol, "un po siciliana".

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